O setor de moda no Brasil apresenta uma cadeia diversificada, responsável por movimentar R$221 bilhões em 2024 e gerar mais de 1,3 milhão de empregos. Com o crescimento do e-commerce, marketplaces e redes sociais, a maneira como as marcas vendem e se conectam com os consumidores está passando por transformações significativas.
A indústria abrange desde a produção de fibras e tecidos até a comercialização em lojas físicas, marketplaces e plataformas online. Vestuário, calçados e acessórios são componentes essenciais tanto para a indústria quanto para o varejo do país.
Para as marcas no setor, uma plataforma de e-commerce voltada para moda pode otimizar a gestão de catálogos, estoques e pedidos, integrando diferentes canais de venda em uma única operação.
A importância dessa cadeia é confirmada por dados do CREA-RJ de 2023, que indicam a existência de 21,6 mil empresas focadas na confecção de vestuário e acessórios, responsáveis por cerca de 525 mil empregos, representando 6,8% do total de trabalhadores na indústria brasileira.
A digitalização tem redefinido a competição entre as marcas. Embora preço e produto continuem a ser fatores relevantes, a experiência do cliente, a logística, o conteúdo, a personalização e a integração de canais ganharam destaque.
Este artigo visa explorar o tamanho do setor, o crescimento do comércio eletrônico de moda, o impacto dos marketplaces e as principais tendências para os próximos anos.
Qual é a dimensão do mercado de moda no Brasil?
O mercado de moda no Brasil abrange diversas atividades, e, portanto, os dados sobre a indústria têxtil, confecção, varejo de vestuário e vendas online não devem ser considerados como um único mercado.
Conforme informações da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), a cadeia têxtil e de confecção teve um faturamento de R$ 221 bilhões em 2024.
O perfil mais recente da entidade revela cerca de 25,7 mil unidades produtivas formais e aproximadamente 1,34 milhão de empregos diretos no setor.
Uma análise do Banco do Nordeste, publicada no final de 2025, previu um crescimento de 1,5% na produção da indústria de vestuário para aquele ano, totalizando cerca de 5,4 bilhões de peças.
Para 2026, a Abit projetou um crescimento de 1,1% para as indústrias têxtil e de vestuário.
Esses indicadores apontam um setor de grande magnitude, mas também vulnerável às mudanças nos hábitos de consumo, custos de produção, concorrência e dinâmica do comércio internacional.
Por que a moda é tão significativa na economia brasileira?
A moda desempenha um papel crucial na economia brasileira ao conectar diferentes etapas da indústria, distribuição e varejo, além de gerar empregos ao longo de uma cadeia que vai da produção de fibras até a venda ao consumidor final.
Antes de uma peça de roupa chegar ao consumidor, diversas empresas podem estar envolvidas, desde a produção de fibras e fiação até a confecção, distribuição e varejo.
Os dados da Pesquisa Industrial Anual do IBGE, citados pelo CREA-RJ, evidenciam essa estrutura. As 21,6 mil empresas de confecção identificadas em 2023 empregavam cerca de 525 mil pessoas.
O setor inclui não apenas grandes indústrias, mas também pequenas confecções, marcas independentes, lojas de bairro, redes varejistas e negócios digitais.
Isso possibilita uma variedade de modelos comerciais; uma empresa pode produzir suas próprias coleções, terceirizar a produção ou trabalhar com revenda e vendas diretas ao consumidor.
Quais segmentos se destacam na moda brasileira?
O setor atende a diferentes públicos, faixas de preço e ocasiões de consumo.
Os segmentos incluem moda feminina, masculina, infantil, fitness, praia, íntima, plus size, streetwear, roupas profissionais, moda sustentável, além de calçados, bolsas e acessórios.
No ambiente digital, o segmento de roupas possui uma participação significativa. Dados da Confi.Neotrust do segundo trimestre de 2024 mostram que roupas foram a categoria mais vendida online, seguidas por calçados, acessórios e roupas infantis.
Para as marcas e lojas de roupas no Brasil, a escolha de um segmento específico pode facilitar decisões sobre produtos, posicionamento, comunicação e fornecedores.
No entanto, o tamanho do mercado não deve ser o único critério; fatores como margem, concorrência, disponibilidade de fornecedores e frequência de compra também devem ser considerados.
Como está mudando o comportamento do consumidor de moda?
Os consumidores estão adotando um comportamento cada vez mais multicanal, que inclui descobrir produtos nas redes sociais, pesquisar avaliações e preços em marketplaces, e finalizar compras no site da marca ou em lojas físicas.
Um consumidor pode conhecer um produto no TikTok ou Instagram, pesquisar avaliações, comparar preços em marketplaces e concluir a compra no canal mais conveniente.
Esse comportamento se estende além da moda. A pesquisa Consumo Multicanal 2025, da CNDL e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise, revela que 71% dos consumidores compram online ao menos uma vez por mês, enquanto 15% fazem compras semanalmente.
A moda é uma das categorias mais citadas nessa pesquisa, com roupas, calçados e acessórios sendo mencionados por 46% dos entrevistados como as compras mais frequentes online.
Além disso, 99% dos consumidores pesquisados utilizam redes sociais para buscar informações sobre produtos antes de efetuar uma compra, o que aumenta a necessidade das marcas em manter informações consistentes em todos os canais.
A confiança também é um fator que influencia a recompra. A pesquisa indicou que 92% dos consumidores retornaram a comprar em uma mesma loja online pelo menos uma vez no último ano, com confiança e experiência anterior sendo motivos relevantes.
Qual é a importância do e-commerce no mercado de moda?
O e-commerce de moda ampliou o alcance das marcas e possibilitou novos modelos de venda.
No segundo trimestre de 2024, esse segmento gerou R$7,1 bilhões no comércio eletrônico brasileiro, conforme dados da Confi.Neotrust apresentados no Fórum E-commerce Brasil.
A moda ocupou a segunda posição entre as categorias com maior faturamento no período, ficando atrás apenas de eletrodomésticos.
O cenário digital no Brasil continua a crescer. No primeiro semestre de 2026, o e-commerce movimentou R$208,4 bilhões, um aumento de 16,9% em relação ao mesmo período de 2025, conforme levantamento da Confi em parceria com o E-commerce Brasil, totalizando 756,7 milhões de pedidos.
Entretanto, vender moda online apresenta desafios específicos, como a impossibilidade do consumidor tocar o tecido ou experimentar a peça antes da compra.
Por isso, uma operação eficiente deve se focar em fotografias precisas, descrições detalhadas, tabelas de medidas, controle sobre variações de tamanho e cor, além de uma política de trocas clara.
Marketplaces estão transformando o varejo de moda?
Sim, os marketplaces têm ampliado o acesso a um público maior e facilitado a comparação entre marcas, vendedores e produtos.
Segundo a pesquisa Consumo Multicanal 2025, 73% dos consumidores utilizam a Shopee, 63% o Mercado Livre, 39% a Amazon e 37% a Shein.
Vestuário, calçados e acessórios estão entre as categorias mais compradas nessas plataformas.
Para as marcas, os marketplaces podem servir como um canal de aquisição e aumentar a visibilidade do catálogo, embora também envolvam comissões, regras comerciais e uma concorrência acirrada.
Uma estratégia multicanal pode unir marketplaces e lojas próprias, exigindo a sincronização de preços, estoques e pedidos para evitar inconsistências.
A Tray, por exemplo, oferece integração com marketplaces e ferramentas para gerenciar operações em conjunto com outros canais.
Como os produtos importados impactam o mercado brasileiro?
Os produtos importados aumentam a variedade disponível para os consumidores e elevam a concorrência em categorias como roupas e acessórios.
Esse fenômeno se intensificou com o crescimento do comércio eletrônico internacional. A pesquisa da CNDL e SPC Brasil aponta a relevância de plataformas internacionais entre os hábitos dos consumidores, que consideram preço, variedade e conveniência ao utilizá-las.
Para fabricantes e varejistas brasileiros, a concorrência não se limita ao preço; fatores como prazo de entrega, qualidade, atendimento e facilidade para trocas também influenciam a decisão de compra.
Em termos operacionais, os produtos importados estão sujeitos às regras brasileiras de comércio exterior e tributação. No comércio eletrônico internacional, o Programa Remessa Conforme estabelece diretrizes específicas para plataformas certificadas pela Receita Federal.
A partir de 12 de maio de 2026, remessas de até US$50 destinadas a pessoas físicas e adquiridas em plataformas certificadas têm alíquota zero de Imposto de Importação, mas continuam sujeitas ao ICMS. Para valores acima, a alíquota de 60% de Imposto de Importação é aplicada, com um desconto de US$30 sobre o imposto devido.
Assim, o impacto das importações deve ser analisado levando em conta o preço final, tributação, logística e qualidade, e não apenas o valor anunciado do produto.
Quais são as principais tendências no mercado de moda brasileiro?
As tendências do mercado de moda no Brasil estão intimamente ligadas à digitalização da jornada de compra e à integração operacional.
A omnicanalidade é um aspecto que merece destaque. Se uma peça está disponível em uma loja física, ela não deve continuar listada no site caso haja apenas uma unidade em estoque.
O mesmo se aplica aos marketplaces; à medida que a operação se expande, o controle de estoque e a integração de pedidos tornam-se cruciais, afetando diretamente a experiência do cliente.
Por exemplo, em uma operação que engloba loja física, site e marketplace, a venda da última unidade de um produto em um canal exige que essa informação seja atualizada em todos os outros.
Sem essa integração, é possível que o mesmo item seja vendido em dois canais, resultando em cancelamentos e experiências negativas para o consumidor.
Além disso, a análise de quais tamanhos e produtos têm maior saída pode guiar a reposição de estoque e as compras futuras junto aos fornecedores.
O que esse cenário representa para os vendedores de moda online?
Para marcas de moda, acompanhar a evolução do mercado digital implica em gerenciar não apenas a divulgação, mas também toda a operação de vendas.
Itens como catálogo, estoque, descrição de produtos, logística, trocas e a integração entre diferentes canais impactam diretamente a experiência do consumidor.
Na prática, alguns pontos são essenciais:
- manter fotos, preços, tamanhos e disponibilidade atualizados;
- utilizar tabelas de medidas claras para minimizar dúvidas e trocas;
- sincronizar o estoque entre lojas próprias, marketplaces e pontos físicos;
- monitorar quais produtos, tamanhos e cores apresentam maior saída;
- ter políticas de entrega e troca de fácil acesso;
- avaliar o desempenho de cada canal de vendas separadamente.
Centrar essas informações em operações multicanal reduz o trabalho manual e o risco de vendas de produtos fora de estoque.
A intersecção entre indústria, varejo e tecnologia na moda
A indústria da moda no Brasil possui uma cadeia produtiva extensa e um varejo cada vez mais digitalizado.
Somente a cadeia têxtil e de confecção gerou R$ 221 bilhões em 2024, enquanto roupas, calçados e acessórios figuram entre as categorias de destaque nas vendas online.
Além disso, os consumidores transitam entre lojas físicas, redes sociais, marketplaces e sites próprios sem distinções claras entre experiências online e offline.
Nesse contexto, competir exige mais do que apenas acompanhar tendências estéticas; as empresas devem compreender custos, público, estoque, logística e comportamento de compra.
O crescimento do comércio eletrônico de moda enfatiza a necessidade de uma infraestrutura robusta que possa suportar diferentes canais sem comprometer o controle sobre catálogo e pedidos.
Para negócios que operam em múltiplos canais, centralizar informações sobre catálogo, estoque e pedidos é vital para evitar divergências e acompanhar o crescimento sustentável do setor.
A Tray disponibiliza recursos para a criação de uma loja virtual, gestão de operações e integração com marketplaces e outros canais de venda.
