A empresária e influenciadora Camila Coutinho inaugurou hoje a primeira loja física da GE Beauty, marca de produtos para os cabelos que ela lançou neste ano.

É um conquista importante para a menina que há pouco mais de 10 anos começava a dar seus primeiros passos como blogueira (como essa palavra já soa antiga) sem imaginar que ela estaria aqui hoje como CEO de sua própria empresa com loja em shopping, livro publicado e uma comunidade com mais de dois milhões de seguidores no Instagram.

A gente se encontrou na nossa nova sala de reunião – um meeting do zoom – pra conversar sobre esse seu novo momento e os bastidores da criação da marca. Camila apareceu toda colorida com uma roupa estampada, esmalte amarelo e  aquele sorriso que certamente é um dos seus maiores assets.

Camila está na linha de frente das influenciadoras brasileiras que vem desbravando novos caminhos e mostrando possibilidades de futuros para quem atua no segmento de influência. Leia abaixo os principais trechos da conversa:

Como foi criar uma marca nova no meio da quarentena?

Eu já estava me preparando para dar um tempo mesmo antes da pandemia. Tava cansada daquela rotina de viagem, da falta de rotina. A GE Beauty é uma concretização de muitas coisas, de ter uma parte de trabalho mais estável, no sentido físico mesmo. Eu participei de todas as etapas de criação da marca e queria poder degustar com calma.

Você já tem 10 anos de trabalho como influenciadora, acha que agora é a hora de fazer outros planos de vida?

Sim, essa primeira geração de influenciadoras que completa esse ciclo de 10 anos começa a fazer planejamento de vida. Do jeito que estava é insustentável. Eu já queria dar esse slow down e a quarentena acabou me fazendo bem nesse sentido. Passei quatro meses na praia, em Pernambuco, trabalhando bastante. Fiquei com minha família e coloquei em prática coisas pessoais.

Você cresceu como influenciadora trabalhando muito com marcas de moda. O que a fez lançar uma marca de beleza?

Há dois anos eu fui plagiada. Algumas leitoras me enviaram uma marca de shampoo com o nome Garota Estúpida. O meu advogado conseguiu tirar de circulação e eu fiquei dois anos pagando o aluguel de um galpão com R$ 600 em produto apreendido. Dai fui fazer uma reunião e a mulher me perguntou: “ah, a sua empresa é aquela do shampoo né?”. Achei que aquilo era muito forte pra ser ignorado e resolvi fazer a minha própria marca. Montei um time inicia e comecei a entrar na parte de pesquisa.

Como foi o processo e quais foram os desafios?

Na parte da pesquisa, reunimos meninas só com cabelos cacheados e crespos e foi super curioso porque no final da reunião duas garotas ficaram e falaram: “você é branca e não pode falar isso se não é seu lugar de fala”. Eu fiquei com isso na cabeça porque estamos muito acostumadas com marcas querendo dizer que nosso cabelo é isso ou aquilo. Aprendo todos os dias porque é um mundo novo, com consumidores muito inteligentes e treinados. Pensei em como criar uma linha de performance que consegue atender várias demandas, entregar bons resultados do liso ao crespo.

Então vocês não dizem que os cabelos são ou tem que ser de um jeito…

A gente não diz o que a pessoa tem que usar nem o que ela tem que resolver. É um convite para redescobrir seu cabelo e esse processo a gente só constrói prestando atenção na gente.

O quanto tem de você nesses produtos?

Tem muito de mim. Participei de tudo, do início ao fim e o texto que está atrás das embalagens fui eu quem escrevi. Inclusive os aromas. No começo vinha aquele cheiro de chiclete, morango e eu declinava tudo. Levei minhas velas com as fragrâncias que eu mais amava e ele foi construído em cima do aroma de white musk.

E a parte prática, de desenvolvimento? Hoje a indústria de cosméticos não só precisa ouvir muito a consumidora, mas também pensar em como criar fórmulas mais clean e que passem longe dos animais.

Sim. Agora como CEO da marca, tenho várias demandas, com um outro nível de compromisso. É gestão de equipe, de pessoas. Fui me adaptando com o trem andando. Contratei um time de processo pra ajudar na operação, um CFO, uma consultora pra ver fornecedores, fábricas e químicos e um assistente  pessoal pra organizar minha agenda. Não conheço outra influenciadora que invista tanto em equipe e time quanto eu.

Nesse meio tempo, uma leitora me escreveu perguntando se eu não queria ter a minha linha, porque ela trabalhava numa fábrica que poderia desenvolver a fórmula com a gente! Nossa linha é vegana e bem clean e inclui shampoo, máscara, condicionador, leave-in e quatro boosters que entregam hidratação, definição, força e antioxidante.

Você já foi contratada como influenciadora para divulgar produtos de muitas marcas. Aplicou a mesma estratégia no seu próprio lançamento?

Nós fomos na contra mão e não fizemos seeding. Queria que todos os primeiros reviews viessem das primeiras consumidores que foram lá e compraram o produto. Queria ouvir se elas tinham curtido e entendido o modo de uso. Agora começamos com um seeding bem cirúrgico de 40 experts do mundo do cabelo e da beleza, uma galera que faz resenha de produtos, tem opinião e experiência.

Como você avalia o mercado da influência hoje?

Este mercado está cada vez maior, com segmentos, ramificações. A audiência diz muito, ela dá o palco pra quem ela quer ver dançar. O que acho que estamos entrando agora e que vai ficar mais palpável é essa relação do marketing de influência com os anunciantes. Eles estão intensificando mais essa coisa dos anúncios, alcance, algoritmo. Muito em breve essa venda do público será desatrelada da venda de ads e o influenciador será cada vez mais como um funil de segmento. As redes sociais estão fechando o cerco no sentido da publicidade. Agora que sou inteirada nessa questão de compra de ads, a estratégia vai ser o horário da postagem. Se quero falar com aquele público, tenho que comprar o horário especifico.

Esse momento com o GE foi um processo de escuta também pra você?

Eu fiquei sentada ouvindo sobre o que as pessoas achavam sobre meu trabalho, meus publis… Tinha gente que falava que me seguia e não me seguia mais e isso foi ligando botões em mim de coisas que eu precisava mudar. Precisava encontrar pontos em comum com a minha audiência  A internet é um bicho vivo, está sempre trazendo novas ideias, novas coisas e precisamos caminhar com ela.