Recentemente, alguns prints de uma conversa entre a cantora Laís Raquel e uma noiva viralizaram nas redes sociais levantando um debate importante sobre o racismo velado. Durante a troca de mensagens entre as duas, a cliente diz ter se apaixonado pela voz da brasiliense e fala que queria muito tê-la em seu casamento, mas com a condição de que ela alise os fios para o dia da cerimônia.

Sem entender muito bem a situação, Laís esclarece que é cacheada e que se sente confortável com seu cabelo assim. Porém, a noiva insiste dizendo: “Não tenho nada contra o seu tipo de cabelo. Só falei por causa das fotos, pois é um dia único e quero que esteja tudo perfeito”. Veja a troca de mensagens abaixo na íntegra:

Conversa da Lais no InstagramArquivo Pessoal/Reprodução

Em entrevista à CAPRICHO, a cantora diz não ter entendido à princípio o que estava por trás daquelas mensagens: “Quando ela disse que queria que tudo ficasse perfeito, eu entendi sobre o que ela estava falando, mas não percebi que era racismo porque ele estava maquiado. Ela me elogiou antes de atacar meus fios, foi algo velado.”

Após um bate-papo com uma colega, passou a compreender melhor a situação. “Eu acho que depois de tanto tempo passando por esse tipo de situação, a gente acaba ficando anestesiada, se acostuma. Eu sou meio desligada. Não percebi de primeira que aquilo se tratava de racismo, mas no momento que mandei os prints para uma colega, ela já me alertou. Eu fiquei na dúvida se iria expor ou não, mas pensei nas pessoas que não iriam conseguir se posicionar como eu fiz e então publiquei”.

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Mesmo depois de toda a repercussão, Lais não teve contato com a noiva para ouvir um pedido de desculpas. Porém, se tivesse a oportunidade de conversar novamente com ela ou com outra pessoa que tenha pensamentos similares, daria um recado importante: “É preciso tomar cuidado e entender o peso da nossa fala. Ainda tem muita gente que não consegue lidar com isso, uma frase pode acabar com a vida de alguém. A gente tem que se colocar no lugar do outro e pensar como seria ouvir uma coisa dessa”. 

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A vida não para🌼 – paciência @lenine

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Laís revelou que já viveu outras situações de racismo velado ao longo da vida. “Eu já vivi isso dentro da minha própria família. Tentei não me importar, mas sempre me elogiavam mais quando eu aparecia com os fios alisados, por exemplo. Diziam que eu parecia outra pessoa, que eu era muito mais bonita assim”, relembrou.

A música chegou na vida da cantora muito cedo, aos sete anos. E foi quase na mesma época que ela passou a alisar os fios. “Falei para a minha mãe que eu queria que o meu cabelo se mexesse, então ela o alisou. Ela poderia ter conversado comigo, me explicado que o meu cabelo era bonito do jeito que ele era. Ela não entendeu muito bem, mas não a culpo”, falou. Mais tarde, quando decidiu abandonar a química, a brasiliense teve que aprender a se ver de maneira natural novamente: “Eu precisei descobrir como eram meus fios, porque eu não os conhecia mais”, conta.

Aos 18 anos Laís iniciou o processo da transição capilar, que foi apoiado por uma amiga que a incentivou a retornar aos fios naturais. “Eu pedi ajuda a ela para retocar a minha raiz e ela questionou o motivo de eu não abandonar a química. Acabei decidi fazer isso e confesso que foi complicado no início”, afirma. “Quando cortei curtinho para facilitar o processo, lembro de me arrepender por um instante. Porém, logo em seguida quando me vi no espelho, foi uma sensação de liberdade. Foi como se eu conseguisse me enxergar de novo. Eu chorei de desespero, mas depois que vi, foi de alegria“, disse.

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Por fim, a cantora fez questão de dar um recado para as meninas que, assim como ela, também estão passando por uma fase de autoaceitação dos fios:  “Não desista. Se isso for o que você realmente quer, vai valer muito a pena. As pessoas sempre vão comentar, mas uma vez que você entende o que é importante para você, as coisas ficam fáceis”. Maravilhosa, né?

Você tem alguma dúvida sobre transição capilar? Pode mandar pra gente, viu? <3