Erin Carpenter sempre amou dançar e frequentou aulas de balé clássico e outras modalidades de dança desde pequena. Porém, por ser uma mulher negra, não foi tão fácil seguir a carreira no que amava. Durante o Ensino Médio, ela foi expulsa de uma aula porque ela não estava usando “uniforme”. Na realidade, Erin estava com a mesma roupa que as outras alunas, mas não encontrava meias-calças da cor da sua pele – todas eram produzidas pensando apenas em peles claras.

“Eu morri de vergonha porque tive que ir na frente de toda a classe e todos achavam que eu tinha feito algo errado. Quando perguntei pra professora o que eu deveria fazer, já que não havia meias do meu tom de pele para vender, ela disse que era pra eu pintar as meias-calças e as sapatilhas para que ficassem da cor da minha pele. Eu achei aquilo ridículo”, contou Erin ao Refinery29.

Apesar de não concordar, aquela era a única maneira de continuar fazendo o que amava, então Erin passou a pintar todas os seus uniformes com base. Muitos anos depois, quando já era dançarina profissional, teve a ideia de transformar essa experiência traumática em um negócio e criou a Nude Barre, lançada oficialmente em 2011. Com ajuda de algumas colegas dançarinas, desenvolveu 12 cores diferentes de “nude”, que combinam com praticamente todos os tons de pele.

A Nude Barre vende meias-calças, meias arrastão, calcinhas e sutiãs. Além da variedade de tons, a marca também tem uma variedade grande de tamanhos, do PP ao 2XG, e alguns tamanhos infantis. No site, há um teste para que seja mais fácil conseguir encontrar o tom perfeito pela internet. “Marcas que não são inclusivas alimentam o racismo estrutural. Elas não ligam para a diversidade dos compradores e, por isso, podemos ver que houve um boom de marcas e empreendimentos criados por pessoas negras. Só assim conseguimos nos sentir representadas”, disse Erin.

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De acordo com uma pesquisa feita pela American Express, de 2007 a 2018 realmente houve um aumento muito grande no número de empreendimentos criados por mulheres latinas e pretas. A empresa de Erin conta com 5 funcionárias e passou por alguns momentos de dificuldade em meio à pandemia. “Por um lado, a marca conseguiu mais visibilidade e mais gente acabou nos conhecendo. Isso se deve muito a visibilidade do Black Lives Matter também. Porém, por outro lado, algumas das fábricas com quem trabalhávamos tiveram que fechar e isso nos impactou”, conta a empresária.

Apesar das dificuldades, Erin está focada em fazer a marca crescer e, no futuro, quer expandir ainda mais a gama de tons de pele e tamanhos. Nos próximos meses, a Nude Barre deve começar a ser vendida em algumas lojas multimarcas físicas. Um de seus maiores sonhos é também começar a produzir bodies, cintas e camisolas.

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