A vivência na Bahia ressalta a relevância da ancestralidade, educação e valorização da cultura negra na formação de narrativas que permeiam a moda brasileira

A visita do estilista Dih Morais a Jequié, uma cidade no interior da Bahia, foi muito mais do que um simples deslocamento; foi um reencontro com suas origens e uma chance de aprofundar o diálogo entre moda, educação e ancestralidade. Durante sua estada, Dih teve a oportunidade de visitar uma escola quilombola local, onde interagiu com alunos, educadores e se deparou com uma realidade marcada pela preservação da cultura afro-brasileira. É importante destacar que essa instituição faz parte do território do quilombo Barro Preto, o único quilombo urbano situado em Jequié.

Essa experiência levou Dih a refletir sobre como a moda pode ser uma ferramenta eficaz para promover pertencimento, memória e valorização das identidades negras. Em tempos em que o setor da moda discute diversidade de maneira mais abrangente, ele acredita que reconhecer esses espaços é essencial para desenvolver uma indústria mais representativa e conectada às narrativas que constituem o Brasil.

“A presença em uma escola quilombola foi um desses momentos que transformam nossa percepção sobre o trabalho. Encontrei ali muito mais do que uma simples visita: encontrei memória, resistência e um profundo sentimento de pertencimento. Retornei com a compreensão de que a moda pode servir como um meio para preservar histórias, valorizar identidades e dar visibilidade àqueles que muitas vezes ficaram à margem”, declarou Dih Morais.

Na visão do estilista, experiências como essa sublinham a importância da educação na preservação das tradições culturais e no fortalecimento das novas gerações. Ele afirma que conhecer esses ambientes enriquece a perspectiva criativa e propicia narrativas mais genuínas além das passarelas.

Ao ouvir essas histórias de perto, percebo que a inovação também tem raízes na ancestralidade. Retornei de Jequié inspirado pela força daquela comunidade e convicto de que devemos construir mais conexões entre cultura, educação e moda. Dar visibilidade a essas experiências é reconhecer o potencial existente nesses territórios e estimular que mais pessoas conheçam essa realidade”, finaliza.

O artigo intitulado VOLTAR ÀS ORIGENS TRANSFORMA O OLHAR SOBRE MODA E IDENTIDADE, AFIRMA ESTILISTA DIH MORAIS APÓS VISITA À ESCOLA QUILOMBOLA EM JEQUIÉ foi publicado originalmente na Revista DBN.