As espinhas podem aparecer de várias formas e por motivos variados, e entender essas diferenças facilita na hora de lidar com elas e buscar o tratamento ideal para a sua pele. Para esclarecer as principais dúvidas sobre o assunto, a CH entrevistou especialistas sobre acne e desdobrou o tema neste guia. Confira!

Mas, antes de começarmos, é importante esclarecer que a acne é uma reação natural da nossa pele e que todo mundo passa por isso. Encará-la como um pesadelo apenas a tornará algo muito maior do que ela é na realidade. Surgiu uma espinha? Continue com os cuidados indicados pelo dermatologista e foque a sua energia e atenção em outras coisas. Você é linda de qualquer jeito e espinha nenhuma é motivo para duvidar disso, ok?

O que é a acne?

As espinhas e os cravos constituem o espectro de uma mesma doença que é a acne. Os cravinhos são considerado uma acne de grau mais leve, enquanto as espinhas possuem um grau moderado. As pústulas mais inflamadas, que formam cistos e possuem grande quantidade de pus, são caracterizadas como um grau ainda mais grave da doença.

A acne surge devido a um processo inflamatório das glândulas sebáceas. Elas são as responsáveis pela produção de sebo, substância que protege a face da ação de agentes externos. Quando essa oleosidade não consegue ser expelida pelos poros, eles acabam entupidos. Em contato com o ar, essa gordura acumulada oxida e a partir daí surgem os cravos, também conhecidos como comedões. Existem bactérias que naturalmente colonizam a pele e, ao entrarem em contato com o sebo acumulado, elas ficam mais propícias a se proliferarem e, consequentemente, causarem as inflamações conhecidas como espinhas.

Quais são as causas?

As causas da acne são variadas, porém o fator hormonal é um dos responsáveis mais frequentes pelo aparecimento das espinhas. O organismo possuí hormônios femininos e masculinos, e o hormônio andrógeno (masculino) é o responsável por acionar a produção das glândulas sebáceas. Quando esses dois grupos de substâncias químicas não estão equilibrados, eles podem incentivar o aumento da secreção de gordura, o que tende a causar o acúmulo dela nos poros e levar ao aparecimento de cravos e pústulas.

Algumas pessoas possuem predisposição genética para a acne. Normalmente, esses indivíduos nascem com um número maior de glândulas sebáceas ou essas glândulas têm uma atividade mais intensa. A ingestão frequente e em excesso de alimentos denominados inflamatórios, ou seja, que têm um índice glicêmico maior e consequentemente podem interferir no ritmo da secreção de gordura, também pode ser uma das causas da acne. Alguns exemplos dessas comidas são açúcar, itens ricos em gordura e laticínios.

Doenças que levam a desregulação hormonal, como a síndrome do ovário policístico, e até níveis altos de estresse podem ser uma das causas da acne. Algumas medicações e produtos de skincare e maquiagem muito oleosos também contribuem para o aparecimento de cravos e espinhas.

Quais são os tipos de acne?

Acne Grau I: apenas cravos, sem lesões inflamatórias (conhecidas como espinhas). 

Acne Grau II: cravos e espinhas pequenas, com poucas lesões inflamadas e pontos amarelos de pus (chamados de pústulas).

Acne Grau III: cravos, espinhas pequenas e lesões maiores, mais profundas, dolorosas, avermelhadas e bem inflamadas (também conhecidas como cistos).

Acne Grau IV: cravos, espinhas pequenas e grandes, lesões císticas, múltiplos abscessos interconectados e cicatrizes irregulares resultando em deformidade da área afetada (acne conglobata).

É verdade que a acne pode piorar na adolescência?

Fases como a adolescência e até o período pré-menstrual são marcados por mudanças no corpo, e as alterações hormonais são uma delas. Por conta dessa inconstância na produção dos hormônios, ocorre um desequilíbrio que altera a secreção das glândulas sebáceas, o que torna esses períodos mais propícios a um maior aparecimento de acne.

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Espinha interna: o que é?

A espinha surge quando a glândula sebácea que está entupida com o excesso de sebo inflama devido a ação das bactérias presentes na pele. Em alguns casos, a glândula inflamada pode estar situada um pouco mais profundamente e não ser visível, o que gera a espinha interna. Ou seja, ela é exatamente igual a pústula, porém o processo inflamatório dela não está visível.

<span class=”hidden”>–</span>Barbara Marcantonio/CAPRICHO

Como tratar a acne?

O primeiro passo e o mais importante é sempre consultar um dermatologista para avaliar qual o melhor tratamento para a sua pele. Quanto antes o acompanhamento profissional começar, mais chances de que o quadro de acne evolua de maneira controlada e com menos sequelas, como marcas e cicatrizes.

Em casa, alguns cuidados básicos podem ajudar no tratamento dos cravos e espinhas. Prestar a atenção na rotina de skincare é essencial! O aconselhado pelos dermatologistas é lavar o rosto duas vezes ao dia (normalmente pela manhã e à noite) com um sabonete facial para o seu tipo de pele. Hidratar a face, mesmo que ela seja oleosa, também é essencial. A oleosidade não é sinônimo de hidratação e a pele pode ficar ainda mais gordurosa se ela estiver seca – isso ocorre no chamado efeito rebote, quando as glândulas entendem que precisam aumentar a produção de sebo para proteger o rosto. Atualmente, existem diversos produtos leves indicados para a pele oleosa, como seruns e hidratantes com toque seco.

O protetor solar para a pele oleosa também é indispensável. Em contato com as espinhas, o sol pode causar manchas e marquinhas. Procurar maquiagens não-oleosas e sempre retirar todo o produto antes de dormir ajuda a evitar o acumulo de substâncias sobre os poros, o que pode contribuir para o entupimento deles. A água micelar pode ser usada após a higienização para garantir que todos os resquícios de sujeira foram eliminados.

Produtos indicados para a pele oleosa e acneica costumam trazer substâncias que auxiliam no cuidado com a acne e no controle da oleosidade, como os ácidos salicílico e retinóico, que fazem uma esfoliação química da face e ajudam a desobstruir os poros. A vitamina C clareia as manchas de acne e melhora a textura facial.

Fazer uma esfoliação suave com um produto leve uma vez por semana (no máximo) também pode ser um passo interessante na rotina de cuidados. A limpeza de pele uma vez por mês ou a cada dois meses também é recomendada pelos profissionais para o tratamento da acne. Ficar de olho na alimentação para ter uma dieta equilibrada, tomar bastante água e ter uma rotina de sono são outros pontos que fazem a diferença.

Dependendo do grau da doença, os medicamentos orais, como antibióticos ou a isotretinoína, popularmente conhecida como roacutan, podem ser indicados.

Acne e cicatrizes

A acne é uma doença potencialmente cicatricial, ou seja, ela tem grandes chances de deixar marcas na pele. Por isso, espremer cravos e espinhas deve ser sempre evitado. Além de poder deixar cicatrizes, essa atitude também pode piorar a inflamação das espinhas, pois nossos dedos e unhas são sujos e podem levar mais bactérias ao local. Outro ponto é que, com essa ação, as bactérias que estão na pústula podem ser empurradas para a corrente sanguínea, causando doenças graves.

Peles morenas e negras têm maios tendência a hipercromia (aparecimento de manchas). Por isso, quem tem esses tons de pele precisa tomar ainda mais cuidado para evitar marquinhas da acne.

Truque de mestre para lidar com as espinhas

Apareceu uma espinha bem no dia que você tem uma festa ou algum compromisso especial? Um truque indicado pelos dermatologistas para ajudar a controlar o processo inflamatório é envolver uma pedra de gelo em um pano e fazer uma compressa fria por alguns minutos. Isso também auxiliará a diminuir o inchaço do local. Produtos secativos que são encontrados nas farmácias são outra alternativa que pode ajudar a secar a espinha. 

Esclareceu todas as suas dúvidas sobre o tema?

Quem deu as informações para esta matéria: os médicos dermatologistas Franklin Verissimo Oliveira e Mariana Corrêa.

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